Split payment: começa a fase de testes do IBS e da CBS para empresas
A reforma tributária deixou de ser teoria para começar a mexer no dia a dia das empresas. O Ministério da Fazenda regulamentou o split payment — o "pagamento dividido" dos novos tributos sobre o consumo — e iniciou uma fase de testes em 2026, ainda sem penalidades. É a senha para que todo negócio comece a se preparar agora, antes da cobrança valer de verdade.
O que é o split payment
Hoje, a empresa recebe o valor cheio de uma venda e só depois recolhe os impostos. Com o split payment, a lógica muda: no momento em que o cliente paga, o sistema separa automaticamente a parcela referente aos novos tributos e a envia diretamente ao governo.
O modelo está ligado aos dois tributos que vão substituir parte dos atuais: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, de estados e municípios). Em uma compra de R$ 100 com R$ 20 de tributos, por exemplo, o cliente paga os R$ 100, mas R$ 80 ficam com a empresa e R$ 20 vão direto ao fisco.
O que foi definido e os prazos
- Fase de testes em 2026: a implementação é gradual e sem penalidades, com foco em adaptação e orientação.
- Meios de pagamento iniciais: o mecanismo começa por Pix, boleto bancário e transferências eletrônicas; cartões e vouchers entram em etapa posterior.
- Uso inicial opcional, principalmente em operações entre empresas (B2B).
- Dois modelos de cálculo: o padrão (com base nos dados da nota fiscal) e o simplificado (por percentuais estimados).
- Devolução de eventuais sobrecobranças em até três dias úteis.
- IVA dual pleno em 2027: é quando CBS e IBS entram de fato no sistema. 2026 é o ano de preparação.
Quem é afetado
Praticamente toda empresa que vende bens ou presta serviços será impactada, mas a atenção é redobrada para o comércio e o atacado, que costumavam usar o intervalo entre a venda e o pagamento do imposto como capital de giro. Contadores, gestores financeiros e equipes de tecnologia que cuidam de ERP e emissão de notas também estão diretamente envolvidos na adaptação.
Como se preparar
- Simule o impacto no caixa. Calcule quanto deixará de circular pela empresa quando parte da receita for direto ao fisco no ato do pagamento.
- Atualize sistemas. Verifique com o fornecedor do seu ERP e do emissor de notas se já estão prontos para o split payment.
- Revise a precificação. Avalie margens e prazos para não ser surpreendido pela mudança no fluxo de caixa.
- Garanta capital de giro. Quem dependia do "dinheiro do imposto" pode precisar de linhas de crédito — vale conhecer o Pronampe 2026 com crédito de até R$ 500 mil e o crédito do Desenrola Empresas para o seu negócio.
- Aproveite a fase sem multas. Use 2026 para testar processos e treinar a equipe antes de a cobrança valer plenamente.
Cuidados importantes
- Não deixe para 2027. A ausência de penalidades em 2026 é justamente a janela para ajustar sistemas e caixa sem risco.
- Atenção ao Simples Nacional. As regras de transição têm particularidades para diferentes regimes — veja também o que muda para o MEI em 2026 e consulte o seu contador sobre o seu enquadramento.
- Confie nas fontes oficiais. Há muita informação confusa circulando; baseie decisões nos atos do Ministério da Fazenda e do Comitê Gestor do IBS.
Fonte oficial
A regulamentação foi noticiada pela Agência Brasil, a partir do Ministério da Fazenda. Acompanhe também os canais oficiais da Fazenda e do Comitê Gestor do IBS para as próximas etapas.
Conclusão
O split payment muda não só quanto a empresa paga de imposto, mas quando o dinheiro sai do caixa. Encarar 2026 como ano de teste — ajustando sistemas, caixa e preços — é o que vai separar quem chega preparado em 2027 de quem será pego de surpresa. Comece a planejar agora, com o apoio do seu contador.
Fonte: Agência Brasil / Ministério da Fazenda